Conheça a Chanoyu: a cerimônia de chá japonesa

31 jan 19
Conheça a Chanoyu: a cerimônia de chá japonesa

O hábito de tomar chá no Japão tem origem nos templos budistas e foi criado pelo monge Eisai por volta de 1191 a.C. O monge foi estudar na China e ficou encantando com o chá e todo o ritual de cultivo, colheita, preparo do matcha (um tipo de chá) e suas propriedades terapêuticas — na época, a bebida era muito usada para fins medicinais. Ao retornar para o Japão, além de trazer o chá, criou uma nova maneira de prepará-lo, com uma cerimônia filosófica e até mais estética que a tradicional, que deu origem à “Chanoyu”.

A cerimônia do chá, conhecida como Chanoyu (a palavra significa água quente), faz parte da cultura japonesa até hoje. Mais que um ritual, é um símbolo de profundo respeito que vai muito além de oferecer a bebida a um convidado.

Ela é baseada em quatro princípios imutáveis:

Sei — significa pureza, tanto universal quanto espiritual.
Kei — é o respeito. Deve-se respeitar todas as coisas com um sincero sentimento de gratidão pela sua existência.
Wa — é a harmonia entre as pessoas, a pessoa com a natureza e a harmonia com os utensílios do chá e a maneira como são utilizados.
Jyaju — significa tranquilidade ou paz de espírito, que resultam da percepção dos três princípios anteriores.

Sen no Rikyu, considerado um mestre no ensinamento da cerimônia, estabeleceu os princípios gerais dos ensinamentos da Chanoyu, que são usados até hoje.

Um desses é o conceito de “ichi-go ichi-e”, que significa “um encontro, uma oportunidade”, uma crença de que cada encontro deve ser guardado na memória como único.

Uma cerimônia repleta de técnicas

Cercada por técnicas que vão desde o modo correto de preparar o chá ao ambiente, a cerimônia tradicional deve ser realizada por pessoas que aprenderam todas as regras do ritual e a simplicidade deve estar sempre presente.

A cerimônia original é realizada em casas com jardins repletos de significados, já que os japoneses possuem uma forte influência zen budista, com aparelhos de chá feitos em ouro, marfim, tecidos de seda e porcelanas importadas da China. O ritual é feito em uma sala com tatame, decorada com biombos e rolos de caligrafia, chamados jiku, pendurados na parede.

O convidado deve aguardar sentado, enquanto o anfitrião leva todos os aparelhos de chá, que geralmente são a tigela, o recipiente do chá em pó, colher de bambu, a concha feita de bambu e o lenço de seda.

O cerimonialista purifica todos os objetos com o lenço de seda antes de iniciar o preparo do chá, realizando diversos movimentos meticulosos e em seguida, oferece um doce à base de feijão para o convidado para ajudar a suavizar o gosto amargo do matcha.

Depois, serve a bebida em uma louça, em que o desenho deve sempre estar voltado para o convidado. Cada movimento, cada gesto possui um significado e por isso, toda Chanoyu é única.

A cerimônia se tornou um momento de encontro social, mas ainda carrega todas as suas raízes filosóficas, que estão arraigadas nas etiquetas de preparação do chá.

É por isso que para realizar uma Chanoyu é preciso muitos anos de treino e compreensão dos seus fundamentos, para realizar os movimentos com perfeição, graciosidade, simplicidade e boa vontade, que é a sua essência do ritual.

Sem dúvidas, a Chanoyu é uma das mais belas cerimônias de chá, onde o protagonismo não está na bebida, mas na relação de amor, respeito e simplicidade entre as pessoas.

É claro que a cerimônia pode ser reproduzida em todos os lugares e de maneiras mais sutis, sem a arquitetura típica das salas, mas com o objetivo mais filosófico de servir o chá. Mas, se você tiver a oportunidade de visitar o Japão, não deixe de participar da Chanoyu.

Aproveite e veja como preparar o matcha tradicional neste post.