Descubra o chá preto e suas principais características

30 out 19
Descubra o chá preto e suas principais características

Você já ouviu falar no chá preto?  Ele é o mais produzido e consumido na Índia, conhecido por ser a base de blends famosos no mundo inteiro, como o English Breakfast e o Earl Gray. E claro, é um dos seis tipos de chás produzidos a partir da Camellia sinensis.

É muito fácil identificar um chá preto a partir das folhas secas. Elas possuem uma coloração marrom e vermelha, resultado do processo de oxidação.

E o licor apresenta um tom escuro a âmbar, muito diferente dos chás mais delicados, como o branco, amarelo, verde e oolong.

O chá preto (assim como outros tipos de chás) pode ser produzido em dois métodos diferentes, o ortodoxo e o CTC.

O primeiro método é o mais valorizado e apreciado, pois os chás são processados de maneira totalmente artesanal.

As folhas são colhidas e processadas à mão, para que permaneçam inteiras e intactas até o consumidor final.   

Isso se reflete no perfil do chá, que tende a ser muito mais suave e completo, com aroma intenso e sabor suave.

O método CTC – sigla para Cut, Tear e Curl (cortar, rasgar e enrolar) foi criado em 1930 e é oposto ao ortodoxo. Ele é processado de maneira totalmente industrial, em máquinas específicas para isso. 

Geralmente são usadas folhas de várias plantações e por isso, pode ser considerado um chá de menor qualidade. 

O perfil do chá preto CTC é mais intenso, encorpado e com maior adstringência, o que nem sempre é bem aceito entre quem está iniciando no caminho do chá.

Processamento do chá preto

Após serem colhidas, as folhas passam por uma etapa para murchar, que pode durar até 20 horas. Depois, elas são enroladas a mão, no processo ortodoxo, ou na máquina, se for CTC.

A próxima etapa é a oxidação, onde as folhas vão adquirir o tom escuro, avermelhado. 

Isso ocorre porque ao entrar em contato com o oxigênio, um sistema de autodefesa das folhas entra em ação, produzindo a cor escura, assim como ocorre quando você corta um pedaço de maçã, banana ou abacate, por exemplo.

Essa fase é determinante para criar o perfil do chá.

Os chás pretos são suaves, com muitas notas defumadas, madeira, cacau e tabaco.

Os chás pretos da China são suaves, com muitas notas defumadas, madeira, cacau e tabaco. Já os chás pretos da Índia e Sri Lanka possuem notas mais florais e de frutas vermelhas, como ameixas secas e também tabaco.

Já os chás pretos da Índia e Sri Lanka possuem notas mais florais e de frutas vermelhas, como ameixas secas e também tabaco.

Você encontra muitas variedades do chá preto, com sabores e aromas muito diferentes dos outros tipos de chá. Se você ainda não experimentou, prove e viva essa experiência.

A relação da índia com o chá

A índia é o segundo maior país produtor de chá do mundo – são cerca de 1.332.450 toneladas produzidas por ano.

A maior parte é para o mercado interno, que tem um consumo anual por pessoa de aproximadamente 770g por pessoa. Isso equivale a 385 xícaras de chá por ano!

Entre os chás produzidos, a maioria é o preto – não por acaso é ele a base do Masala Chai, a receita típica indiana que mistura leite e especiarias, muito comum no comércio de rua e tradicional entre as famílias, tanto, que cada uma tem a sua receita.

Inclusive, temos um vídeo no canal do Youtube com um passo a passo para prepará-lo.

No entanto, ele não é um hábito nativo entre os indianos. Os responsáveis por introduzir a bebida no país foram os britânicos, que viram solo e oportunidades propícias para investir nos chazais, no início do século XX, para concorrer com a China.

Paralelo a isso, a Tea Association criou uma ação para estimular as empresas a criar proporcionar um horário de intervalo para que os funcionários pudessem tomar chá, servido no estilo inglês, com leite e açúcar.

É claro que a criatividade fluiu e eles foram adicionando ingredientes à xícara e assim nasceu o masala chai – e o império do chá na Índia.

Classificação das folhas 

Como há uma grande diversidade de chá preto, foi criada uma classificação para distinguir a aparência das folhas, definida pelo produtor. 

Ela é muito útil para quem precisa comprar chá por catálogo, a fim de alinhar a expectativa e qualidade do produto.

Em alguns países como a China, a classificação é apresentada por números, mas a principal e mais popularizada foi desenvolvida no sistema britânico em plantações da Índia e Sri Lanka.

Essa classificação é identificada por acrônimos ou siglas que identificam o tipo das folhas e assim, apresentam sua qualidade.

Confira abaixo alguns exemplos de identificação mais usados:

T – tippy: grande quantidade de pontas brancas ou douradas

GF – golden flowery: grande quantidade de brotos dourados de alta qualidade

F – finest: melhor chá da temporada

OP – orange pekoe: folhas grandes inteiras

FBOP – flowery broken orange pekoe: grande quantidade de brotos e folhas quebradas

BOP – broken orange pekoe: folhas quebradas e folhas inteiras

Dust: partículas pequenas de folhas com aparência de poeira, de tão finas

Portanto, se você esbarrar com uma dessas siglas em uma embalagem de chá preto, significa que o produtor identificou o padrão das folhas contida na sua seleção.

 E aí, você gosta do chá preto? Para continuar conhecendo mais, veja outros posts aqui.

Fontes: 
World Atlas of Tea – Krisi Smith
Manual del sommelier de té –  Victoria bisogno e Jane Pettitgrew
World Tea News